Foi preciso mais do que mudança de postura para que a seleção olímpica de futebol masculino confirmasse, ao menos em uma partida, toda a boa expectativa criada antes dos Jogos. Contra a Dinamarca, em Salvador, os 4 a 0 evitaram mais um vexame histórico em casa num torneio Fifa e renovaram a esperança de medalha para uma geração que paga o preço de ser a que sucederá a “Era 7 a 1”. E isso graças a uma importante alteração tática importante promovida pelo técnico Rogério Micale.

Neymar ganhou mais um parceiro veloz de ataque após a saída de Felipe Anderson. Luan entrou e, com Gabigol e Gabriel Jesus na formação ofensiva, o camisa 10 foi recuado para ser o que se espera do jovem craque convocado para liderar colegas só um pouco mais novos do que ele. Conduziu o meio campo e protagonizou as melhores chances da partida.

Os três atacantes foram às redes a partir de jogadas criadas pelo jogador do Barcelona e a torcida baiana pôde se deleitar com os gols que faltaram em mais de 180 minutos contra África do Sul e Iraque em Brasília. Agora será a vez de São Paulo receber a seleção. Sábado, contra a Colômbia, o time olímpico terá de comprovar que a evolução é real.

Gabriel Jesus Gabigol Selecao

Gabigol e Gabriel Jesus comemoram gol contra a Dinamarca (Lucas Figueiredo / MoWa Press)

A pequena mudança de titulares e de posicionamento foi fundamental para a vitória e para diminuir um pouco o peso que carrega cada grupo sub 23 que chega a uma Olimpíada para conquistar “o único título que o futebol pentacampeão não tem”.

Cada gol perdido, cada cara de choro de Gabriel Jesus, cada cornetada de Galvão Bueno alimentavam uma tensão que não parava de aumentar. O destempero de Neymar, claro nos momentos mais conturbados da campanha até aqui (e em vários outros da seleção principal), foi só um sintoma do fardo que acompanha essa equipe. Fardo, reitera-se, fruto de uma crise geral do futebol brasileiro da qual os jogadores têm a menor parcela de culpa. Nem por isso eles devem ser poupados de críticas ou cobranças.

A vitória sobre a Dinamarca trouxe alívio a Gabriel Jesus, um dos mais cobrados pelos maus resultados por conta dos gols perdidos. Ela também fez Neymar descer do pedestal  para falar com jornalistas ao fim da partida. Ambos se mostraram mais leves.

Na véspera da partida, Micale pediu para que repórteres e torcedores pegassem menos no pé de Neymar. Fez isso para afagar o craque, alvo óbvio das críticas a uma seleção que não fazia gols.

Ao fim da goleada, o técnico abraçou o atacante no meio do campo da Fonte Nova e lhe falou algo no ouvido. Um simples gesto cheio de simbolismo.

Um momento ruim nessa curta trajetória até o ouro olímpico inédito já passou. Resta acreditar que o que se viu em Salvador será repetido três vezes mais até a esperada conquista.